O sétimo episódio da quinta temporada, com o título que remete ao ganhador do Oscar "O Curioso Caso de Benjamin Button", talvez seja o mais "offtopic" de toda a série – tanto que não temos no começo um flashback que atualize os fãs com o que será importante nessa aventura. Aliás, o único fato que o mantém relacionado aos episódios anteriores é Bobby estar na cadeira de rodas, já que os próprios irmãos nem sequer agem como de costume, tentando vencer o Mal à risca.


Aqui o vilão da vez é um bruxo, Patrick, que usa seus dons de magia em competições de Pôquer, fazendo apostas em troca de anos de vida. Depois que Bobby tenta recuperar sem sucesso uma idade que dê vida às suas pernas, Dean se vê obrigado a apostar, mas também não obtém êxito, ganhando 25 anos a mais.


Então o ator Jared dá lugar a Chad Everett (que fez "Maverick", por isso sua participação no episódio), um senhor que, apesar de carismático, quase não faz o público se lembrar de Dean – um dos maiores problemas do episódio. Quando vimos um Dean criança ou adolescente, era inevitável a semelhança física e gestual dos jovens atores – bem diferente do que acontece aqui. Podiam simplesmente ter envelhecido o ator, talvez fosse mais apropriado.
O humor de costume é trocado por velhas piadas envolvendo dores, doenças e comparações com atores velhos – como a velha do Titanic -, porém sem o efeito desejado.


Além do mais, a ação costumeira da série é substituída por uma tensão artificial numa mesa de um ambiente estático, o que chega a ser decepcionante para uma série como "Supernatural". E se não já não bastassem esses problemas, é chato ver os rapazes impotentes num episódio, tendo que ganhar na sorte contra um mal com poderes sobrenaturais. Será que na velha agenda do pai não havia uma orientação simples do modo como agir para evitar que Patrick continue envelhecendo pessoas? E ainda dependeram da sorte da namorada do bruxo se sentir arrependida dos anos adquiridos...


O episódio mais fraco da temporada, com história de Jenny Klein, em sua primeira (e espero última) contribuição para a série.


Nos filmes de terror, na literatura, e até mesmo nas religiões, é informado que o Anticristo é o filho do demônio (Lúcifer, Satã, etc), aquele que virá com o fim dos tempos para dar início ao Apocalipse. Pela semântica já se entende que é exatamente o oposto de Cristo, por isso é costume a imagem da Cruz invertida, do número 666 e de outros sinais tradicionais referentes a ele.


Já na mitologia de "Supernatural", a liberdade de criação permite aos autores reinventar esse conceito, transformando-o em apenas um filho de um demônio, nascido de uma mulher virgem. Ainda assim, com poderes absurdos, capazes até de se tornar um importante aliado do Mal na busca pelo "inferno na Terra".


Com essa bagagem interessante, o sexto episódio traz os irmãos Sam eDean numa intrigante situação, quando começam a encarar fatos estranhos em Alliance, Nebraska. Enquanto assistia "Cujo" pela TV, a babá Amber Grier acaba se tornando vítima de uma morte baseada na crença infantil de que o pó de mico pode fazer a pessoa coçar a cabeça até alcançar o cérebro. Depois que outras mortes absurdas ocorrem na região (campainha que queima até a morte; a fada dos dentes; doce e refrigerante..), os agentes Page e Plant – de volta à ativa – relacionam os fatos à presença de um sinistro garoto morador da cidade, alguém com grandes poderes e extremamente importante na luta do Mal contra o Bem.



"Tipo o X-Men?" "Sim, inclusive, temos alguém que está na cadeira de rodas"...



É claro que temos a desculpa do Apocalipse para a ampliação dos poderes do menino somente nessa época, mas, trata-se de um detalhe bem resolvido pelo roteiro , inclusive, até encontra um meio de relacionar a história com a atitude errada de Sam na quebra do último selo.


Embora descartável para a temporada, "I Believe the Children are our Future" é um episódio divertido, com uma conclusão que difere do que já foi mostrado na série, com um tom abrupto e um tema interessante que pode voltar a ser trabalhado futuramente.

Era esperado que o ritmo intenso da série caísse ao longo da temporada, e foi exatamente o que aconteceu no quinto episódio. Apesar das brigas sérias dos irmãos, da relação tensa devido ao Apocalipse, seria difícil manter o foco no tema principal por tantos episódios tendo em vista que é uma tendência americana acreditar que as pessoas não consigam assistir a série em sua totalidade, o que obriga alguns "intervalos" entre o que realmente importa para a temporada. Assim, em "Fallen Idols", ocorre um retorno às origens de "Supernatural", com Sam e Dean indo atrás do "demônio da semana".

Neste, um super fã de James Dean adquire o carro em que o ator estava quando morreu – o tal do "Little Bastard" – mas acaba tendo uma morte violenta, com o rosto destruído sobre o painel. Acreditando se tratar de um "Christine", famosa obra de Stephen King, que deu origem a um filme -, os irmãos pesquisam a origem do mal até novas mortes acontecerem. A segunda vítima é um homem fanático por Abraham Lincoln, que acaba também morrendo do mesmo jeito que o ídolo, com uma bala na cabeça.

Investigando um Museu de Cera da cidade, Sam e Dean percebem que há um mal demoníaco no lugar, algo que vai além de uma simples vingança sobrenatural e precisam matar sua próxima aparição física, cortando a cabeça da criatura. Então, entra em cena a socialite fútil Paris Hilton, interpretando a si mesma, como a representação de um ídolo da atualidade.

"Não gosto de você. Nem sequer assisti "A Casa de Cera" – filme de terror com Paris Hilton e o ator Jared Padalecki.

Curiosamente, o que a vilâ diz é passível de ser refletido. Ela diz que antigamente as pessoas acreditavam em deuses, agora cultuam ídolos; antes oravam, agora lêem revistas de fofoca. Uma tendência real e que é apresentado na Bíblia como adoração a falsos ídolos. Realmente, a sociedade atual não percebe o quanto se afasta das religiões, enquanto venera coisas como "Hannah Montana", "High School Musical" e outras modinhas de época.

Enfim, um episódio simples, mas eficiente em sua mensagem que, de uma certa forma, fala sobre a proximidade do Apocalipse; sem esquecer de tentar resolver a discussão entre Sam e Dean sobre os acontecimentos do passado.


Sempre quando a situação está fora de controle e Dean precisa de alguns conselhos, o Anjo Zachariah surge para dar uma lição de moral, seja mostrando uma realidade alternativa ou um provável acontecimento no futuro (episódios Mystery Spot, In The Beginning, It's A Terrible Life). Ainda que não seja possível saber até que ponto ele pode manipular os eventos para conseguir seus fins.

No quarto episódio, intitulado "The End", Sam tenta se reconciliar com Dean, mas não consegue uma resposta positiva, mas, na mesma noite, Zachariah promove um passeio de Dean para cinco anos no futuro, quando o planeta foi devastado por um vírus chamado "Croatoan" – que transforma as pessoas em infectados ao estilo "Extermínio", comandadas por Lúcifer.

Dean caminha pelas ruas destruídas pelas batalhas até encontrar sua versão futura, uma pessoa que toma decisões severas para alcançar seus princípios. Do lado do Bem, está o ex-vidente Chuck, além de uma versão boêmia de Castiel, em mais uma brilhante interpretação do ator Misha Collins. ("Desculpem-me, garotas! Tenho uma reunião com o nosso destemido líder. Por que vocês não se lavam para a orgia?")

Embora assuma uma versão mais agressiva, Dean revela seu lado conquistador ao despertar o ciúmes de Reesa por Jane, dois novos nomes na série e que podem aparecer futuramente evidenciando a catástrofe iminente. É dele também o momento "prove que é você mesmo", quando ele acaba revelando um certo fetiche da juventude.

Não tão indispensável como os três primeiros episódios, este revela-se divertido e curioso, mesmo que a ideia de adiantar um confronto com Lúcifer no futuro só mostre o quanto os responsáveis pela série não terão a ousadia de provocar um possível combate entre os irmãos no final desta temporada. É esperar para ver.


"Free to Be You and Me" contém duas narrativas isoladas apresentando os novos rumos da vida de Sam e Dean separados oficialmente. Enquanto o primeiro torna-se um garçom e tenta se esquivar de seus problemas do passado, o outro continua sua caçada contra o Mal, em companhia de um novo parceiro, o Anjo Castiel.

Após a conversa final entre os irmãos no episódio anterior, cada um segue um caminho diferente. Sam se muda para Garber, Oklahoma, e arruma um emprego num bar; ao passo que Dean vai para Greeley, Pennsylvania, atrás de criaturas maléficas. Este já proporciona o primeiro momento hilário da temporada, quando, ao enfrentar um vampiro, ele o chama de "Twilight" antes de deferir o golpe fatal.

Sam tenta uma nova vida, mas logo passa a ser incomodado pela visão de sua falecida namorada, Jéssica, cujo destino trágico o colocou no caminho das caçadas. Inclusive, é ela quem diz para Sam que a sua morte já estava prevista, pois ela sabia que Sam já tinha uma queda pelo lado sombrio. Embora tente evitar falar do passado e até inicie uma paquera com uma bela garçonete, alguns acontecimentos apocalípticos fazem com que ele tenha que confrontar dois caçadores da região, intrigados pelas atitudes suspeitas de Sam.

No outro lado do tabuleiro, está Dean, que recebe a visita de Castiel e resolve ajudá-lo na busca por Deus. Para isso terão que encontrar o Arcanjo Rafael ("Você foi morto por um Anjo Tartaruga Ninja?"), que foi o responsável pela morte de Castiel na temporada passada. O encontro – mais um momento divinamente bem produzido pela série - trará uma revelação bombástica e pessimista sobre o paradeiro de Deus.

Ambas as sequências são interessantes para a série, que, desta vez, caminha para um destino trágico para um dos irmãos, nas palavras finais do episódio. Lembrando sempre que os produtores pretendem encerrar "Supernatural" nesta temporada!

Alternando momentos dramáticos e divertidos (como as aventuras de Cas e Dean na delegacia e depois num bar de strippers), e conduzidos por mais uma excelente música ("Simple Man", do Lynyrd Skynyrd) na introdução do episódio, "Free to Be You and Me" mantém o nível altíssimo da quinta temporada, apesar de que sabemos que nem sempre será possível permanecer assim.


Quando o Apocalipse começa a tomar forma em "Supernatural", o local dos confrontos, das profecias e dos acontecimentos bizarros é sempre nos Estados Unidos, para sorte (ou azar) dos irmãos Sam e Dean. Com isso, não é de se estranhar que os famosos Cavaleiros do Apocalipse resolvam agir em cidades pequenas e desconhecidas como River Pass, no Colorado, base de escolha da "Guerra" – talvez tenha ficado cansada de se estabelecer no Iraque ou nos Estádios de Futebol.

O segundo episódio da quinta temporada começa a todo vapor, com Castiel entrando em contato com os irmãos (via celular, pois os irmãos foram marcados pelos Selos Enoquianos, que os tornam invisíveis para os anjos) para pegar o amuleto da sorte de Dean (dado por Sam na terceira temporada) que, segundo o Anjo, é capaz de queimar-se diante de Deus, o que permitiria sua localização. Aliás, é o próprio Castiel que nos informa que o Todo Poderoso está na Terra (é óbvio que estará nos EUA) e que foi o responsável pelo salvamento dos irmãos na chegada de Lúcifer (aquela viagem de avião bizarra do episódio anterior) e também em sua ressurreição (algo que ele sabe fazer bem, diga-se de passagem).

Após esse encontro nos primeiros minutos, Sam e Dean são contactados pelo velho caçador Rufus, que está numa pequena cidade aparentemente dominada por demônios. Logo, eles estarão por lá e poderão rever a caçadora Ellen (e sua filha Jo), além de fazer o que mais gostam: enfrentar o Mal. Destaque para a trilha quando chegam à cidade (Spirit In The Sky), mais uma daquelas para ficar na memória.

Aqui ocorre o primeiro sinal evidente do Apocalipse, quando a cidade passa a servir de palco para uma violenta guerra entre os cidadãos (os normais VS os "demônios"), depois que uma Estrela Cadente atravessou o lugar e contaminou as águas. A presença do primeiro Cavaleiro do Apocalipse também é uma das grandes atrações do episódio – é interessante vê-lo em seu Mustang vermelho (tempos modernos não exigem cavalos) mexendo com sua aliança como forma de usar seus poderes.

Mais um excelente episódio da quinta temporada que, como a tradição, se encerra numa conversa franca entre os irmãos. A questão é: essa discussão é definitiva e a série terá um novo rumo ou apenas uma briga passageira, como outras que já aconteceram em "Supernatural"?

Supernatural está de volta! Após meses de ansiedade em busca de informações que possam sanar as principais dúvidas deixadas no começo do ano, os fãs puderam rever os irmãos Sam e Dean em ação no primeiro episódio da quinta temporada – Sympathy for the Devil. E não é que a espera valeu a pena?

No último encontro com a dupla de heróis, Sam havia feito exatamente o que era previsto pelos anjos e demônios: matou Lilith, quebrando o selo final – aquele que permitia o retorno de Lúcifer. Assim, num show de pirotecnia a temporada terminou com a volta triunfal do maior inimigo de Deus, enquanto os créditos surgiam na tela para desespero de todos que acompanhavam as aventuras sombrias de Supernatural.

Lúcifer voltou, mas, assim como todos os anjos, precisa de um receptáculo, um corpo para poder ocupar e liderar o Apocalipse. Sem forma, foi atrás de uma alma desesperada, um homem simples e desiludido com a vida chamado Nick, que perdera a família num violento confronto com um marginal. Para possuí-lo, Lúcifer deverá convencê-lo a ceder seu corpo e mente para ele, nem que para isso tenha que apelar para o sofrimento do rapaz, através de momentos aterrorizantes que inspiram os melhores filmes de terror: o ranger de um portão fantasma, ventania, o choro de um bebê que não nasceu, sangue escorrendo pelo berço e até a aparição de sua falecida esposa.

Enquanto isso, Sam e Dean aparecem num avião (!!!) e depois retornam à rotina de pesquisa para descobrir um meio de mandar o Anjo de volta para o inferno. Procuram o profeta que escrevia sobre o futuro da dupla em livros de "ficção" e descobrem que Castiel pode estar mesmo morto. Reencontram os anjos que ajudaram Lúcifer a retornar e até uma velha conhecida que deu muito trabalho no passado: a demônio Meg. Bobby também reaparece para momentos dramáticos, envolvendo o erro de Sam – considerado imperdoável para Dean – e um ato quase fatal que poderá mudar seu destino para sempre. E ainda sobra tempo para apresentar uma nova personagem – Becky –, uma superfã dos livros do profeta, que demonstra uma admiração exagerada por Sam e, provavelmente, deverá ser o alívio cômico da temporada.

Para a mitologia da série, há uma grande novidade: a única arma capaz de mandar Lúcifer para o inferno é a espada de Miguel, mas o anjo precisaria ocupar o corpo de Dean para enfrentar o Mal. Será que ele fará esse sacrifício pelo bem da humanidade?

"Supernatural" voltou realmente em grande estilo.


O interessante de participar de festivais como "SP Terror", "Fantaspoa", "Mostra BR" e o "CineFantasy" está na possibilidade de assistir a produções que dificilmente chegarão ao circuito comercial no Brasil. Curtas sombrios, longas de países onde você nem imaginava que seriam capazes de produzir algo pelo gênero; uma vez ou outra, aparece algum filme que você até estranha o fato dele nunca ter sido lançado em DVD no seu país devido ao seu conteúdo atraente e sua qualidade praticamente impecável. É o caso, por exemplo, da produção que vi no sábado (dia 14), em mais uma visita à Biblioteca Viriato Corrêa para encontrar amigos e se assustar com alguma pérola do terror cinematográfico.

Trata-se de "Il nascondiglio", exibido com o título em inglês "The Hideout" (O Esconderijo) - produção italoamericana, lançada em 2007, dirigida e roteirizada por Pupi Avati (que fez aquele filme de zumbis legais, o tal do "Zeder") com adaptação de Francesco Marcucci. Apesar de ser mais italiano do que da terra do Tio Sam - inclusive com uma atriz italiana como protagonista, Laura Morante -, o filme é falado em inglês e tem atores americanos como Treat Williams e Burt Young (sim, aquele da franquia "Rocky") e ingleses, como Rita Tushingham e Tom Rottger-Morgan. Infelizmente, o longa foi exibido sem legendas no festival, o que afastou alguns fãs do gênero que pretendiam acompanhá-lo.

No enrendo, após uma introdução num convento, com o desespero de algumas freiras quanto ao comportamento de duas jovens, o filme salta 50 anos, e acompanhamos a bela Lei, que acaba de sair de uma instituição mental, onde ficara para se recuperar do suicídio do marido. Com grandes pretensões como abrir um próprio restaurante, a mulher acaba alugando o casarão (o tal convento do início do filme), enquanto se organiza para seus novos propósitos. No entanto, ao passar a primeira noite no local, ela já percebe que a casa pode não estar tão vazia quanto ela imaginava.

Atormentada por assustadores cochichos - que mesclam o infantil com o sombrio (lembra do Smeagol?) - Lei não sabe se aquilo se trata de reflexos de sua passagem na instituição mental, onde ela dizia ouvir vozes, ou se há pessoas morando no ambiente. E a cada investigação e descoberta, ela percebe que pode estar mexendo com um passado que muita gente que enterrar, ao passo que a realidade aterrorizante vem aos poucos à tona. "Encontram três corpos, duas pessoas desapareceram; não havia pegadas na neve que indicassem que alguém saiu da casa após os crimes".

Para aproveitar ao máximo o seu conteúdo, o ideal seria não saber nada a respeito do filme; esperar que as surpresas saltem aos seus olhos, acompanhando a belíssima trilha e fotografia escura; além do clima de produção antiga de terror, com neblinas artificiais e rangidos de madeira.

É triste saber que muitos infernautas não terão acesso ao filme, caso alguma distribuidora não arrisque seu lançamento por aqui. Assim, fica a dica para que alguma empresa nacional lance a produção por aqui; ou algum blog de download legende-o para os fãs do gênero. Vejam o trailer e digam se não vale a pena:






O Boca do Inferno está fazendo a cobertura de mais uma mostra de Cinema! Depois do SP Terror, do Fantaspoa, da Mostra BR, agora chega a vez do prestigiado CineFantasy, o 4 Festival Curta Fantástico, com exibição de filmes fantásticos no "Centro Cultural Banco do Brasil", no "Cine Olido" e na "Sala Luiz Sérgio Person" (Biblioteca Viriato Corrêa). Nossos colaboradores estão enviando suas análises das produções exibidas nos dias 6 a 15 de novembro, e você poderá conferir com exclusividade os detalhes no site e nos blogs de parceiros.
No dia 12, fui ver dois filmes na Biblioteca: o documentário brasileiro realizado por estudantes de audiovisual de São Paulo intitulado "Submundo Sangrento" e o terror com zumbis em formato de falso documentário, "Reel Zombies" - ambas produções recomendadíssimas.


No caso de "Submundo Sangrento", temos diversos depoimentos e trechos de cineastas que contribuem para o terror underground nacional, em sua tentativa desesperada de buscar patrocínio e apoio. Fernando Rick, Rodrigo Aragão, Dennison Ramalho, entre outros, como o pessoal responsável pelo excelente "Cine Horror". Cenas de tosqueiras divertidas como "Feto Morto" e até "Mangue Negro" rechearam a produção de dez minutos, bem dirigida e editada. Parabéns às meninas pela ousadia e pelo talento demonstrados.


Depois teve início o falso documentário "Reel Zombies", mostrando uma equipe de produção de filme de terror, querendo realizar um longa de zumbis reais num mundo apocalíptico. Acostumados a fazer produções de ficção como "Zombie´s Night 1 e 2", o grupo mostra passo-a-passo o processo de desenvolvimento de um filme real com mortos-vivos, desde a seleção de atores, ensaios, reuniões de criação, testemunhos...Em seus 97 minutos, acompanhamos com bom-humor a escalação e treinamento de zumbis "reais", enquanto pequenos acidentes acabam transformando o filme num documentário de despedida da equipe, em ataques isolados de mortos.


É difícil dizer quem copiou quem: George A. Romero, em 2007, lançou o seu "Diário dos Mortos", nuam produção caprichada e interessante, apesar de inferior a filmografia do cineasta; já "Reel Zombies" é de 2008, mas segue uma linha diferente de realização ao mostrar a versão final do documentário e não uma cãmera na mão de um grupo que luta para sobreviver ao ataque das criaturas. De todo modo, ainda prefiro o do Romero, mais movimentado e bem feitinho.


"Reel Zombies" perde um pouco do seu impacto ao trabalhar com o humor; mas, resgata a atenção pela presença ilustre de Lloyd Kaufman, da Troma, em um dos momentos mais divertidos do filme. E também vale pela edição esperta que não permite que o documentário se torne extremamente arrastado.
Enfim, uma tarde de terror de primeira, prestigiando um festival que esperamos que retorne como um zumbi todo ano!


A "33ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo" terminou em 5 de novembro, após a exibição de 424 produções de diversos países nas categorias "Competição de Novos Diretores", a "Perspectiva Internacional", a "Mostra Brasil", "Retrospectivas" e a "Mostra Suécia". É sempre interessante participar desse prestigiado evento que é uma janela de acesso a filmes que dificilmente terão espaço nos cinemas, locadoras e lojas brasileiras.


Foi na Mostra de 2002 que tive o privilégio de conferir o excelente "Fácil de Enterrar" (Soft For Digging, 2001), que é um exemplo claro de produção que não teve lançamento no Brasil e muitos fãs do gênero perderam a oportunidade de conhecer o pesadelo do velho Virgil e seu encontro com a morte de uma criança.

Apesar de fã do festival, devido ao excesso de trabalho e alguns problemas de saúde na família, só consegui ver um único filme, o terror da Singapura "Macabro", no Cine Olido, ao lado de Felipe M.Guerra e dos infernautas Neto e Coffin Fang. E posso dizer que valeu bastante a pena - o filme não tem nada de inovador, mas é bem divertido e sangrento, um prato cheio para os fãs dos clássicos "O Massacre da Serra Elétrica" e "Fome Animal".

É a primeira produção do estúdio "Gorylah Pictures", da Singapura, e tem a direção da dupla da Indonésia conhecida como The Mo Brothers (Kimo Stamboel e Timo Tjahjanto), que, em 2007, dirigiu um curta chamado "Dara", a fonte de inspiração para "Macabro", já contando com a protagonista vilâ do remake, Shareefa Daanish. Aliás, é ela o maior destaque do filme, com seu jeito seco de lidar com visitas e sua voz carregada de simplicidade e maldade.

O enredo é bem simples: nos primeiros trinta minutos conheceremos 6 pessoas num pub em Bandung, pretendendo uma viagem para Jacarta. Na saída para a estrada, encontram uma jovem perdida, a bela Maya (Imelda Therinne), e decidem levá-la para sua residência. Se o grupo fosse fã de filmes de terror notariam os sinais claros de uma tragédia iminente como: a garota estar sozinha na região, sua postura atípica, a moradia sinistra com cabeças de animais e armas para todo lado, uma família que não esconde um lado sombrio. Inclusive, uma das jovens chega a presenciar um dos membros da família carregando algo pelo jardim...

Depois de uma bela refeição, sem a presença de dois amigos, um casal cuja esposa espera um filho em seu oitavo mês, todos acabam dormindo, sem conseguir ouvir a voz da anfitriã Dara pedindo que o filho leve-os para o sótão e prepare as ferramentas para algum ritual macabro. A partir daí, o filme engata uma quinta marcha, com o grupo tentando sobreviver aos quatro assassinos, enquanto fogem pelos cômodos da casa e pela mata. A diversão torna-se ainda maior quando chega um grupo de policiais para revistar o local, culminando num massacre em proporções inimagináveis, com tiros de bestas, espingardas e até uma batalha envolvendo uma motossera e um espada de Samurai - algo parecido com o que vemos no encontro entre Jason e Leatherface nos quadrinhos. A propósito, os The Mo Brothers têm o seu próprio Leatherface, um gordão escroto, sem rosto deformado, mas silencioso e sádico.

O que interessa em "Macabro" há de sobra: sangue, tripas, a violência que não poupa o espectador em mostrar ferimento nos olhos, nas mãos, queimaduras, membros decepados e até esqueletos de bebês - num dos momentos mais terríveis do filme. E ainda sequências que permitem o riso involuntário como os policiais na moradia, a imortalidade dos personagens - talvez por se alimentar de carne humana - e, principalmente, a canastrice de Adam, com seu olhar de maldade exageradamente teatral.

Ainda assim, recomendo às distribuidoras o lançamento no Brasil e aos infernautas que deem uma oportunidade para a família mais assustadora de Jacarta.


Assisti ontem à versão original do filme "Exorcista: O Início", chamada de "Dominion: Prequel to the Exorcist", que está sendo exibida no canal "Space TV". Aliás, dia 30 de outubro, às 22 horas, o canal está prometendo passar as duas versões seguidas.

Bom, realmente não é um filme comercial. Não tem monstros, vômitos, cabeça girando, menina possuída. No entanto, a história é bem melhor do que a outra versão, carregada no horror psicológico, mostrando o primeiro encontro de Lankester Merrin com o demônio.

Depois de ser testemunha de um massacre que ele mesmo escolheu as vítimas, Merrin perde a fé, abandona a batina e se especializa em apenas fazer escavações arqueológicas. Numa destas, encontra uma igreja enterrada que fica sobre um templo de adoração a uma espécie de criatura alada. Ao mesmo tempo em que a Igreja vai sendo desenterrada, surge uma estranha figura na região, um rapaz com deficiência física, Cheche, que os fãs do clássico irão reconhecer como a figura sinistra que aparece nas sombras do quarto de Reagan.


Este tem uma referência maior ao original, quando um militar, antes de se matar, diz algo como "Dê um recado ao Merrin, quando a situação perder o controle, esta é a única saída". Algo que o padre Damien faria anos mais tarde para salvar a menina possuída - talvez como explicação para o espectador dos atos do padre ou algo que ele tenha aprendido com o mais velho.


É melhor, mas está longe de ser um filme bom. A sequência final, o tal duelo, é fraca e sem grande impacto. O longa é arrastado (o clássico também era, lembram-se?), centrando mais nos diálogos do que no terror, apesar de você sentir a presença do mal a todo momento. Os efeitos não são perfeitos pois parece que o filme não chegou a ter a pós-produção finalizada.

De todo modo, vale a pena conferir, já que o filme não foi lançado em DVD no Brasil.




Série Já Vi Esse Filme #4: Episódio de Hoje: "Psicose": "Homem fingia ser a mãe morta para ganhar pensão"

Série Já Vi Esse Filme #3. Episódio de Hoje: "Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu": "Após morte de piloto durante o voo, avião pousa em segurança"

Série Já Vi Esse Filme #2: Episódio de Hoje: "Premonição" - "Mulher que perdeu vôo AF 447 morre em acidente na Áustria"

Série "Já Vi Esse Filme". Episódio de Hoje: "Serpentes a Bordo": "Quatro cobras escapam da caixa dentro de avião na Austrália."

Quando decidimos fazer a camiseta Boca do Inferno, queríamos que o nome fosse espalhado pelo país. Não seria interessante colocar um monstro ou algum símbolo (como muitos queriam), pois a intenção era fazer a marca prevalecer. O que tinha que chamar a atenção era "Boca do Inferno.Com" e não algum personagem de filme de horror.

Agora, que muitos infernautas pelo país vestiram a camiseta Boca do Inferno, achamos que seria a hora de fazermos uma nova, mas com algum desenho interessante e principalmente EXCLUSIVO.

Como aquele famoso desenho dos "Classic Monsters" foi um sucesso tremendo, com infernautas até hoje querendo usá-lo em seus sites e avatares, tentando desvendar as criaturas escondidas naquele infernal encontro, nada mais justo que a camiseta Boca do Inferno Versão 2 relembrasse essas criaturas.

Assim, pedimos para o colaborador de arte do Boca do Inferno, Walter Junior, que marca presença nas HQs da Revista Boca do Inferno, um novo desenho, uma nova versão daquela dos monstros clássicos, com criaturas presentes nos filmes antigos como também nos filmes recentes de horror.

Nasceu, então, "Classic Monsters 2", com nada mais nada menos do que 26 monstros na imagem! É exatamente essa imagem que ilustra a Comunidade Boca do Inferno no orkut, está ao lado e na Nova Camiseta!

Como estamos chegando naquele momento em que pedimos a colaboração dos infernautas para manter o site vivo na internet, ao adquirir a nova camiseta você vai estar bem vestido (com um desenho único) e ao mesmo tempo dando uma mãozinha para a página de horror mais popular do país!

O preço é R$25 reais + frete para o modelo de camiseta branca; e R$28 + frete para camisetas pretas. O modelo antigo de camiseta Boca do Inferno continua custando R$20 reais. O motivo do aumento do preço é pelos custos da produção da camiseta.

E mais: na compra de qualquer camiseta acima, você leva grátis uma revista em quadrinhos do site Boca do Inferno! E ainda concorre a DVDs promocionais sorteados mensalmente!


Para encomendar a sua, em todos os tamanhos, mande-nos um e-mail: shopboca@yahoo.com.br e prepare-se para esquentar mais uma vez o seu inferno!




Depois da SciFi News, DVD Premium, Cine Monstro, Folha de S.Paulo, na TV Cultura, no site QZona, a galera do Boca do Inferno foi entrevistada pelo site E-Farsas, que há 7 anos vem desvendando os mistérios da internet como assombrações em fotos e vídeos, imagens bizarras e notícias estranhas.



A entrevista aconteceu no dia 8 de agosto na sede da JustinTv, no Campo Belo. Apresentado pelo simpático Gilmar Lopes, o programa vai ao ar aos sábados, às 18 horas, e sempre faz interessantes matérias com personalidades, além de promoções envolvendo camisetas.



O Boca do Inferno foi bem recebido no estúdio, onde teve liberdade para falar sobre o horror em lendas urbanas, curiosidades, quadrinhos, e apresentar o site para os leitores do site E-Farsas. Poltergeist, O Exorcista, O Grito, clássicos do gênero, o medo que atrai o público, o preconceito que o gênero sofre, A Maldição de Luíza...enfim, são alguns dos assuntos tratados na entrevista.

Confira abaixo a entrevista completa:





Desde a última semana de julho, encontra-se disponível no site Boca do Inferno.Com a revista em quadrinhos número 4. A revista é uma parceria de sucesso do site Boca do Inferno.Com e a Editora Júpiter II, de José Salles, trazendo para o infernauta o que há de melhor no horror em quadrinhos.


São histórias que envolvem lobisomens, alienígenas, fantasmas vingativos e até mesmo o próprio demônio em composições de grandes desenhistas e roteiristas como Marcos Franco, Edgar Franco, Valmar de Oliveira, entre outros, além da nostálgica do mestre Gedeone Malagola.


Além de ter acesso a boas histórias de terror - que, infelizmente, estão praticamente extintas no mercado atual -, você estará ajudando o site Boca do Inferno a se manter vivo na internet, como o principal veículo de informação do gênero fantástico.


Quer saber como adquirir a sua? Clique aqui.

Michael Myers Vs PlayArte


Após 17 anos enclausurado numa instituição mental, Michael Myers decide voltar para Haddonfield atrás de Laurie Strode. No Brasil, a espera foi de dois anos até a estreia de "Halloween, de Rob Zombie", nos cinemas. Durante esse período, enquanto Michael se preparava para retornar na sequência "Halloween 2", o filme passou pelas mãos da Europa Filmes até finalmente chegar à distribuidora PlayArte, que ainda prometia um lançamento nas telas grandes.

O primeiro golpe da distribuidora foi adiar a produção por diversas vezes, fazendo muitos acreditarem na possibilidade do filme não ser lançado no Brasil. A segunda facada partiu da escolha do título: um acréscimo da expressão "O Início" para evitar que o público não vá aos cinemas pensando se tratar mais uma continuação da série antiga, e também para remeter ao sucesso "O Massacre da Serra Elétrica: O Início".

Na abertura do Festival SP Terror, a distribuidora exibiu o filme na íntegra, prometendo um lançamento nos cinemas ainda em julho ou mais tardar em agosto.

Mas, faltava o golpe final! Aqueles que evitaram ao máximo fazer download do filme ou comprar em barracas de camelôs aguardaram com ansiedade a estreia do longa, no dia 24 de julho. Então, veio a surpresa (por meio da indignação do infernauta Rafael Saraiva): "Halloween: O Início" foi mutilado pela distribuidora!


Visando diminuir a censura de 18 anos para 14 (!!!), foram extraídos cerca de 26 minutos da versão normal do longa. Explico: desde seu lançamento nos EUA e 31 de outubro de 2007, foram divulgadas duas versões da produção: a versão workprint (que vazou na internet antes da estreia); e a versão de cinema (com 109 minutos). Algum tempo depois, Rob Zombie lançou uma terceira versão, sem censura, com 121 minutos.

Pois, a PlayArte conseguiu a proeza de lançar nos cinemas brasileiros no dia 24 de julho uma quarta versão, com míseros 83 minutos!!! Assim, quem for aos cinemas brasileiros assistir ao remake do clássico de John Carpenter simplesmente NÃO VAI VER O FILME!

Essa não é a primeira vez que a PlayArte faz bobagem em seus lançamentos! Para citar alguns exemplos:

- o DVD do filme "Premonição 2" tem falta de sincronismo entre o som, a imagem e a legenda.

- erro de sincronia no áudio DTS também aconteceu com o DVD de "Blade 2".

- a péssima qualidade do "Box Cavaleiros do Zodíaco". Qualidade ruim de imagem em cenas de movimento.

- o lançamento do filme "Timber Falls" com o título picareta "Pânico na Floresta 2" remetendo ao sucesso "Wrong Turn"..


Quanto ao "Halloween: O Início", Rafael Saraiva foi mais além. Segundo o infernauta, na cena a seguir "tudo que acontece entre 00:50 e 7:56 FOI CORTADO PELA PLAYARTE. Sim, na versão da Playarte, Michael pega uma faca na cozinha, e corta direto para sua mãe voltando para casa!!!"








Michael Myers voltou para Haddonfield, mas sem passagem pelo Brasil! Aos infernautas, fica o conselho: aguardem o lançamento em DVD - que espera-se que seja a versão completa do filme - ou comprem uma versão importada. Reclamem bastante com a distribuidora (http://www.playarte.com.br/Fale/) pra evitar que filmes como "Halloween 2", "[Rec] 2" e "Premonição 4" não tenham o mesmo destino.

Enquanto isso, confiram o artigo de Felipe M.Guerra (analisando as três versões existentes): clique aqui

UPDATE: Leia a reportagem que o Cinematório fez a respeito.


Depois de sete temporadas de sucesso, a série "Buffy - A Caça-Vampiros" teve finalmente seu fim anunciado. Para amenizar a dor dos fãs - inclusive deste que vos escreve -, o criador Joss Whedon continuou com seu spinoff "Angel" (que terminou na quinta temporada) e investiu nas revistas em quadrinhos!


No entanto, o público não queria ler apenas histórias avulsas ocorrendo entre as temporadas. O interesse maior era saber o que aconteceu depois da sétima temporada, quando Sunnydale foi literalmente "para o buraco". Assim, foi lançado nos EUA em 2007 a oitava temporada em quadrinhos, escrita por ninguém menos que o próprio criador do seriado.


Demorou, mas agora chegou ao Brasil, através da editora Panini Comics! Nas bancas desde o dia 3 de julho, a minissérie conta os eventos ocorridos quando Buffy e sua gangue do Scooby se mudaram para a Europa, conforme fomos informados na série "Angel".

Se você é fã da série, tem obrigação de colecionar a HQ (custa apenas R$6 reais). Se não é, não tem problema pois a revista explica tudo o que aconteceu nas temporadas anteriores.

Em breve, farei uma análise sobre a oitava temporada por aqui. É só aguardar!




Para encerrar os posts sobre o SP Terror, seguem algumas imagens tiradas no almoço de encerramento do evento, ocorrido na Cantina D'Amico Piolim, na Rua Augusta, dia 2 de julho.

Estavam presentes todos os responsáveis pelo evento, jurados e, é claro, o Mestre Mojica. Eu, Christian Petermann, Leopoldo Tauffenbach, Kapel Furman, Rita Gloria Curvo, Dennison Ramalho, Alexandre Nakahara, Vitor Meloni, Fabiana Sevilha, Lorena Hertz, Monica Pires, Betina Goldman, Leny Dark.

Vejam as fotos...









Eu estava devendo para vocês os demais vídeos realizados no dia da abertura do SP Terror.

São 5! Temos comentários do Mojica sobre o critério de avaliação do Júri, o filme moderno que o deixou com medo....ah, e uma gravação que fizemos dentro do cinema, justificando o porquê de estarmos prestes a ver "Halloween: O Início", se todos ali presentes repudiam a produção:





















Com o término do SP Terror, chegou o momento de anunciar os vencedores das Competitivas Internacional e Iberoamericana.

Fizemos uma reunião com todos os jurados, os organizadores do Festival, além do Mestre Mojica, num restaurante no centro, onde, após muito debate, elegemos os vencedores da competição.

Competição Iberoamericana:

Vencedor: "Mangue Negro" de Rodrigo Aragão

Menção Honrosa: "Aparecidos" de Paco Cabezas

Competição Internacional:

Vencedor: "Eden Log" de Franck Vestiel

Menção Honrosa: "Deixa Ela Entrar" de Tomas Alfredson

Após o anúncio às 19 horas no Reserva Cultural, foi exibido o clássico "Golem", com a participação do músico Gary Lucas.

Faço agora o meu TOP 11, com os filmes que tive o privilégio de assistir no SP Terror.

11) Humanos
10) Os Descendentes
9) Strange Girls
8)
Yesterday
7) O Gigante do Japão
6) Yoroi: Zumbi Samurai
5)
Matadores de Vampiras Lésbicas
4)
Visitante de Inverno
3)
Eden Log
2) Deadgirl
1) Deixe Ela Entrar

Menção Honrosa: Golem - uma experiência maravilhosa acompanhá-lo com a guitarra de Gary!

Entre os curtas que assisti, faço as seguintes considerações e avaliações:

1) O Jardim dos Enjeitados (Cuba, 2007) - uma excelente produção que traz uma história excepcional envolvendo bebês, freiras e um poço. Bem narrada, completa, um curta de horror inesquecível. *****

2) Bicho (Brasil, 2008) - previsível, mas ainda assim bem contada, seguindo o estilo Stephen King de explorar as crianças e seus dons especiais. Neste, um menino que cuida de bichos não-domésticos. Ótima produção, bom argumento. ****

3) Mamá (Espanha, 2008) - uma história curtinha, com seus momentos assustadores. Podia fazer parte de um bom filme de terror, apesar da cena final deixar evidente um efeito de computador desnecessário. Se quiser assisti-lo, clique aqui. ***

4) Zombeer (Holanda, 2008) - Palhaçada total. Zumbis oriundos da cerveja (!!!) - na verdade, os bebuns nada mais são do que zumbis que abandonam suas tumbas (bares) e caminham pelas noites cambeleando pelas ruas. Tentativa de ser divertido, mas acaba soando como idiota e óbvio demais. **

Bom, é isso! Falta apenas uma análise do ótimo "Deadgirl", mas deixo para depois.

Senti falta do Festival na terça-feira; acabei me acostumando a rotina de ver filmes de horror, encontrar pessoas que curtem o gênero...Assim, fui com muita empolgação para o espaço Reserva Cultural assistir ao longa "Deadgirl", cujo trailer havia me chamado a atenção desde que vi a programação pela primeira vez.


Adorei o filme. Uma história de zumbis contada de modo diferente, sobre uma perspectiva mais particular. Escreverei a respeito. Depois do filme, após algumas conversas com o amigo Raphael Fernandes, me despedi e rumei para casa. Desisti de assistir ao aclamado "Aparecidos", devido à final da Copa do Brasil entre Corinthians e Internacional. Embora seja corinthiano, minha fuga mais cedo se deve ao receio de andar de metrô após o jogo - sempre há uns malucos interessados em arrumar confusão.


Na quinta-feira pela manhã vi outro filme de zumbis, "Yesterday", mas não achei grande coisa, não. Após o meio-dia, rumei para o restaurante Piolim na Augusta encontrar os jurados e organizadores do SP Terror. Estar mais uma vez na mesa com grandes pessoas como o José Mojica Marins, a Betina, o Alexandre, o Vitor, os demais críticos, além do músico Gary Jones, foi uma satisfação imensa. Entre massas de um rodízio saboroso, falamos sobre cinema, curiosidades, e muito mais. Bem divertido!
Por volta das 16 horas, me despedi do pessoal e dei uma passada em alguns sebos e lugares interessantes da Paulista até a hora do encerramento. Às 19 horas, diante de uma fila imensa, estive no local, ajudando na organização até a hora da exibição do ótimo "Golem", com Gary Lucas fazendo uma apresentação ao vivo, dando um brilhantismo à produção!


Após o evento, foi combinado uma festinha de encerramento, mas não pude comparecer devido aos compromissos escolares, acordar cedo e tudo mais. O fim do Fantástico, do Bizarro, do Curioso...de volta à realidade.


SP Terror vai deixar saudades...


Depois que as películas com mortos-vivos foram ressuscitadas com "Extermínio" e "Resident Evil", houve uma horda de produções do gênero com as populares criaturas comedoras de carne humana idealizadas por George Romero. Todo mundo quis fazer o seu. Com isso, cambalearam pelas locadoras e cinemas boas obras como "Madrugada dos Mortos", "Shaun of the Dead", "Terra dos Mortos", "Diário dos Mortos" e até o brasileiro "Mangue Negro", como também decrépitos trabalhos como "Dia dos Mortos: O Contágio", "House of the Dead", entre outros. Com o exagero de filmes iguais (mundo apocalíptico, vírus, criaturas velocistas...), o estilo cansou, sendo raros os longas que surpreendem de forma positiva apesar da fórmula repetida.

Recebendo várias críticas negativas pelos frequentadores do Festival, "Os Descendentes", realmente, não eram vistos com bons olhos. Com a expectativa em baixa, o público não irá se decepcionar: o filme é ruim mesmo! Dirigido pelo responsável pelo também fraquinho "Sangre Eterna", Jorge Olguín, a produção até teria a capacidade de conseguir uma boa média se não pecasse em alguns aspectos graves: atuação, montagem e roteiro. No enredo, após a disseminação de um vírus mortal que transforma os seres humanos em mortos-vivos, os poucos sobreviventes tentam entender porque as criaturas não atacam crianças e se isso tem a ver com o fato de algumas delas possuírem grandes cortes no pescoço. Assim, o público irá acompanhar a jornada de uma bela garotinha, Camille (não é a filha da Carla Perez...), por ambientes destruídos por batalhas cruéis entre os homens e zumbis, enquanto tenta cumprir uma promessa para a mãe, em seu último suspiro de vida.

É isso. A trama poderia ser resolvida num curta de no máximo 20 minutos, com um resultado bem mais satisfatório. Primeiramente porque boa parte do enredo simplesmente mostra a garota caminhando sozinha, e suas recordações do momento em que os zumbis começaram a atacar e contaminar as pessoas até a morte da mãe. A montagem repete algumas cenas diversas vezes - como a promessa da mãe - e a chegada da garota ao hospital, o que chega a incomodar o público ansioso. Além disso, algumas cenas são arrastadas e desnecessárias como quando Camille entra numa residência e investiga todos os ambientes, ou na sequência envolvendo um playground.

Se isso já fosse suficientemente ruim, a atuação das crianças do filme chega a dar pena. Por vários momentos, elas olham para a câmera, riem em cenas tristes, não conseguem chorar em momentos de dor, fazem tudo pausadamente como se aguardassem o grito do diretor. A própria protagonista é bonitinha, tem carisma, mas jamais poderia assumir a função principal e aparecer em demasia como acontece em "Os Descendentes". Para fazer justiça, a única que se salva como atriz é Karina Pizarro, a mãe de Camille.

Também é importante ressaltar a maquiagem dos zumbis, caracterizados como palhaços mal maquiados (rosto extremamente pálido, boca vermelha e borrada, olhos brancos). Embora sejam interessantes as transformações, os efeitos chegam a fazer rir aqueles acostumados com criaturas ósseas, decompostas. E ninguém explica como a Camille consegue ficar tão bonitinha (com chapéu, rosto limpo), se ela cai várias vezes na terra, foge por ambientes imundos.

Por outro lado, a fotografia é bonita. Fazendo uso de um fundo que remete corretamente aos desenhos de crianças (pelo menos, espero que seja isso), os aviões que cruzam a cidade e alguns cenários são bem construídos quando interagem com os personagens em cena - porém o barulho dos aviões e helicópteros não chamam a atenção das crianças.

No entanto, o maior defeito do filme de Jorge Olguín está no roteiro. Sem novidades, é extremamente lento e arrastado. Fica difícil se importar com a vida da menina se ela não é atacada pelos zumbis e os soldados que aparecem são tão incompetentes e ruins de mira. Ninguém sabe porque eles querem tanto matar a garota em alguns momentos, enquanto outros querem mantê-la viva para estudos. Mas, a grande decepção reside no final "Os Lusíadas", quando o filme fica colorido e o público percebe que os efeitos são ainda piores do que ele imagina.

Provavelmente o filme mais fraco do Festival, "Os Descendentes" é mais uma prova de que o estilo pode estar em processo de decomposição.

Daqui a pouco, pretendo assistir a:

19 horas: Deadgirl
21h30: Os Aparecidos

Apesar de estar louco para ver o filme, pode ser que eu não veja esta última sessão. Como hoje tem a final Internacional X Corinthians, fico com vontade de ver o jogo e também com medo de pegar o metrô depois das 11...


Relíquias da cultura nipônica, os samurais eram a representação de um país corajoso, forte e guerreiro, consumido pelos espíritos de lealdade e disciplina. Estiveram presentes no Japão por 760 anos, ocupando uma importante posição social enquanto existiu o governo militar Shogunato. Foram extintos a partir de 1868 com o resgate do poder do imperador num processo conhecido como Restauração Meiji, mas deixou um legado que continua ativo até os dias de hoje. Sempre reconhecidos na literatura e no cinema oriental e ocidental, os samurais serviram de inspiração para grandes clássicos como "Os 47 Ronins" e "Os Sete Samurais", de Kurosowa, além do mais recente "O Último Samurai", com Tom Cruise impressionado com o código de honra dos antigos guerreiros. Mas, não foi só o personagem do pai da Suri que ficou fascinado por essa valiosa bagagem oriental, também há vários seguidores espalhados pelo país, muitos atraídos pela exibição do filme "Yoroi: Zumbi Samurai", que esteve por dois momentos em destaque no Festival Internacional de Cinema Fantástico de São Paulo.

Com as salas sempre lotadas, o filme do ator/diretor Tak Sakaguchi conseguiu divertir o público com suas homenagens ao estilo oriental de fazer cinema e ao gênero fantástico por meio de uma divertida história de vingança sobrenatural repleta de referências e com efeitos especiais exagerados. E ainda traz uma mensagem sobre o destino e as consequências que regem a vida ao apresentar logo na cena inicial um homem caminhando por um lugar sombrio e nebuloso, traçando sua opinião sobre o assunto como se fosse o apresentador de um Globo Repórter. Sua caminhada termina quando sua cabeça é arrancada violentamente de seu corpo, fazendo o filme retornar horas antes desse mesmo dia, com uma família feliz em sua viagem de carro. Entre brincadeiras e canções, os quatro alegres familiares fazem o ato típico de seis em dez filmes de terror: atropelam um desconhecido na estrada - uma cena repetida três vezes, sobre ângulos diferentes, nas primeiras características do estilo nipônico de fazer cinema.

Depois do atropelamento, a vítima se levanta e aponta um revólver para o carro, mas acaba sendo alvejado diversas vezes por um rapaz que espreitava a cena. Antes que o pai pudesse fugir dali, surge uma garota com seu cabelo colorido e sua arma brilhante, comparsa do novo assassino. Sequestrados, a família - composta de um casal, um filho pequeno (da raça dos "Toshio", de "O Grito") e uma adolescente - se vê obrigada a conduzir os marginais pela estrada empoeirada, sem saber as reais intenções dos inimigos. Quando o veículo invade uma área restrita, o GPS e os celulares são manchados de vermelho sangue, numa excelente ideia do roteirista e criador da aventura, Ryûhei Kitamura.

Em mais um momento tradicional do estilo, os pneus do carro estouram no local desértico, e o pai é obrigado a seguir até uma vila próxima em busca de ajuda, enquanto os bandidos ficam com a família como refém. Apesar da promessa feita ao filho (olha o destino surgindo na história!), o pobre pai acaba se degolando quando chega a uma espécie de cemitério, com 8 lanças. Seu sangue desperta uma criatura terrena com sua roupagem de samurai e sua espada "daishô", sedenta por sangue e cabeças. Logo, o Mal irá cruzar o caminho do restante da família, da dupla de marginais e de dois policiais que fazem ronda na região, enfrentando-os em duelos sangrentos e desiguais. E ainda haverá o retorno do rapaz atropelado e alvejado na estrada para complicar os confrontos. Curiosamente, ele não será um zumbi, e, sim, uma espécie de homem imortal, cada vez mais biruta a cada encontro com o grupo.

Consciente de estar produzindo uma auto-paródia, Tak Sakaguchi entrega um filme visualmente encantador, mas com muito sangue e mutilações, e referências ao cinema tradicional japonês (zoom, repetições de cenas, exageros e câmera lenta). Aliás, é fácil enxergar os extremos da cultura nipônica nas cenas de luta e degola dos personagens - que tem a cabeça arremessada a distância, numa explosão de um vulcão de sangue pelo pescoço da vítima. Num dos momentos mais divertidos, há o encontro de um braço e uma cabeça decepados com o sol como pano de fundo, remetendo de imediato a uma promessa feita no passado pelo personagem-vítima.

De uma forma dinãmica e interessante, o diretor apresenta sua história de maldição sobrenatural gerada num momento de raiva (lembra de "The Grudge"?), enquanto não poupa o espectador de cenas violentas e sangrentas. Se tem algum pecado, deve-se à algumas atuações caricaturais, mas não estraga o resultado final, pessimista em sua tristeza eterna.

"Yoroi: Zumbi Samurai" merece uma conferida pelos amantes da arte oriental e pelo público em geral que procura uma diversão sem compromisso. Vale uma conferida, se possível duas vezes.


"Strange Girls" tinha tudo para ser o melhor filme do Festival Internacional de Cinema Fantástico: duas ótimas atrizes e um argumento que perturba uma leitura prévia. Quando você imagina duas garotas idênticas se movimentando em sincronia e desafiando seus médicos (sempre substituídos devido a assassinatos, suicídio...) sem dizer uma única palavra, logo vem a mente uma produção sombria que dificilmente sairia da mente do espectador. Ora, imagina como seria interessante essas jovens talentosas orquestrando seus gestos, com seu olhar triste e linguagem de reflexo invertido, enquanto eliminam as pessoas que tentam separá-las...

Tendo essa expectativa, não é de se estranhar a decepção sentida no momento em que as garotas se afastam de outras pessoas e passam a se comunicar normalmente, rindo, se divertindo, dando um banho de água fria em tudo o que você imaginava. Logo, o público chega à conclusão que o problema delas é uma psicose em parceria; na verdade, as jovens são muito espertas, vivem num universo só delas, fechado à visitas.

As garotas são estranhas, mas não tanto quanto o filme de Rona Mark. Numa linguagem arrastada e previsível, o longa segue a vida comum das gêmeas em suas tentativas de iniciação sexual, enquanto se unem para matar as pessoas que a incomodam, seja a moradora do andar de cima, as vizinhas irritantes ou o rapaz que as menospreza.

Ainda que os defensores da obra apontem para uma linguagem alternativa ou tentem ver o filme como uma comédia de humor negro, não conseguem negar os inúmeros erros do roteiro da produção, sendo que alguns chegam a incomodar pelo absurdo de sua tentativa de convencimento. Por exemplo, se as garotas não falam com ninguém - nunca - como elas aprenderam a dirigir (como tiraram carta?), como descobriram o endereço da médica, como conseguiram fugir do local onde estavam, como conseguem esconder os corpos por tanto tempo, como fazem compras (quando precisa pedir o produto?)...e a lista não tem fim. Através de bilhetes, certo? Elas adoram escrever. Então imagine uma aula de direção em que as garotas apenas escrevem para fazer suas perguntas sobre para onde devem ir...

Além disso, as meninas somem, mas o hospital só percebe isso quando o vigia (isso mesmo) resolve investigar por conta própria e descobre que as pacientes não assinaram o livro de entrada e saída (!!!). E não é preciso dizer o absurdo dele desconfiar do envolvimento delas com um crime, através de um bilhete que nem sequer traz evidências disso. E a cena que ele invade a casa delas é de um suspense ralo, quase um frio na ponta da orelha.

Por outro lado, é impossível não notar o talento das atrizes Angela Berliner e Jordana Berliner. Ambas convencem em seu drama de convivência forçada, como se fossem xipógafas, mantendo a diferença no olhar, no modo como enxergam o pretendente e a coragem de ver alguém morrer, porém com a sintonia na arte de matar suas vítimas sem dó. As cenas de violência não são extremas, porém são carregadas de sadismo. E a ideia de fazê-las se encantar com a técnica de trepanação é de uma sutileza cruel...

Com um final previsível, porém com uma cena final assustadora, "Strange Girls" é a maior decepção do Festival, mas ainda assim merece uma conferida, mesmo que seja para visitar as irmãs assassinas e sair com um gosto amargo de "poderia ter sido melhor".


Se Simon Pegg e Edgar Wright resolvessem fazer um filme de vampiros, ele seria "Matadores de Vampiras Lésbicas". Bom, pode ser um exagero comparar o brilhante "Shaun of the Dead" com o longa de Phil Claydon, embora os elementos em comum estejam presentes: o refinado humor inglês que satiriza relacionamento instáveis, os personagens bobocas com seus diálogos agressivos e, ao mesmo tempo, ingênuos; e a sátira ao gênero terror remetendo a produções clássicas do estilo.

Desde os primeiros minutos, o filme já mostra o seu tom hiperbólico ao narrar um fato ocorrido há séculos, fazendo uso de cenários digitais no estilo "Sin City" e "300", com exageros que mergulham a produção num estilo cartoon (e não são gratuitos, já que a edição faz o corte de cena como uma revista em quadrinhos, em muitos momentos). Tudo isso para dizer que Carmilla, a Rainha dos Vampiros, transformou a amada de um cavaleiro da Cruzada em uma vampira lésbica, forçando-o a realizar um ritual e depois enfrentar a vampira com uma espada especial - mas, não antes da garota lançar uma maldição, envolvendo os descendentes do herói. Séculos mais tarde, somos apresentados a dois rapazes perdedores: o gordinho Fletch (James Corden) - que acabara de ser mandado embora de seu emprego como palhaço animador de festa porque agrediu uma criança - e Jimmy (Mathew Horne) - que levara mais um fora de sua namorada.

Ambos (emprestados da série da BBC "Gavin And Stacey") fazem o estilo "Shaun of the Dead" misturado com "Porkys": Fletch é um perdedor que só pensa em sexo; Jimmy é um perdedor que só pensa na namorada. Depois de seus infortúnios da vida pessoal, a dupla resolve fazer uma viagem para esquecer os problemas e, na sorte, acaba sendo levada a uma cidadezinha rural chamada Cragwich. Numa referência a "Um Lobisomem Americano em Londres", os rapazes chegam a um pub num local isolado e são encantados por quatro belas jovens numa kombi (a cena em que as jovens entram no veículo em slow motion é hilária), antes de seres convidados a passar a noite num hotel da região.

As garotas européias, com seus shortinhos e blusas decotadas, atiçam os hormônios de Fletch, que ignora as lendas locais e resolve encarar a possibilidade de uma noite de orgias. No entanto, as jovens são aos poucos "lesbianizadas" e "vampirizadas" por uma vampira local que pretende trazer de volta a rainha Carmilla (que depois voltará com um visual que remete "A Noiva de Frankenstein").

Engana-se quem pensa que "Matadores de Vampiras Lésbicas" terá um festival de corpos à mostra ou cenas de sexo. Apesar de seus protagonistas serem safados (mais o Fletch do que Jimmy), e as piadas envolverem sexo e drogas, o filme não apela para cenas assim: há muitas mulheres bonitas, claro, mas poucas tiram à roupa para a infelicidade dos tarados. Na verdade, o filme é uma homenagem a Hammer, principalmente à trilogia Karnstein, com seu horror sedutor, sem chegar ao extremo da referência.

Repleto de gags e diálogos divertidos ("deve ser uma ironia do inferno encontrar vampiras lésbicas. Imagino que também encontraria um lobisomem gay") como o estranhamento quanto à morte das vampiras ("só isso? Sem explosão, sem virar pó?"), o olhar de Fletch ao seios de uma das garotas no meio de sua fala e, obviamente, a cena em o padre diz ser o único que sabe matar vampiros ("todo mundo sabe! Estacas, degola, alho, luz do sol...Está nos livros, revistas e filmes!"), "Matadores de Vampiras Lésbicas" é uma ótima pedida para os fãs do humor inglês de "Monty Python" e para aqueles que não gostam de sátiras apelativas (como "Todo Mundo em Pânico"), nem bobas (como "Os Espartalhões"), com toques de horror.


Como todo cientista maluco que volta-e-meia aparece nos filmes de terror, o professor Schneider ((Philippe Nahon) acredita que há grandes chances de que o homem pré-histórico possa ter sobrevivido à evolução humana (!!!). Assim, quando fica sabendo de alguns fósseis recentes encontrados nos Alpes Suiços, ele trata logo de convencer seu assistente e uma ex-companheira do jovem para uma expedição ao local. No caminho, cruzam com uma família de três pessoas a passeio em uma minivan, até que o carro sofre um gravissímo acidente na estrada, com o veículo sendo arremessado para o interior de uma mata fechada.

Diante de um ambiente desconhecido, enquanto tentam resistir aos ferimentos da queda e a alguns obstáculos pelo caminho, o grupo descobre uma estranha raça de seres pré-históricos, longe de serem amigáveis. Inicia-se, então, uma caçada pela selva, com o grupo tentando fugir dos seres e procurando um abrigo, sem saber as reais intenções seus inimigos.

Essa é a base da história dos diretores Jacques-Olivier Molon e Pierre-Olivier Thevenin, que desenvolveram uma espécie de "Elo Perdido" sem os dinossauros. Os absurdos dessa aventura na selva já começam com a atuação teatral do professor Schneider, o acidente de carro exagerado em CGI, culminando numa batalha surreal entre as duas raças, numa tentativa de questionar os verdadeiros vilões dessa história. Tudo é malfeito: a maquiagem "Bela e a Fera", a explosão, os diálogos ruins entre os personagens ("você vai ver a extinção de uma espécie.")...

Para piorar a avaliação, os furos são grandes: o assistente do professor machuca o joelho nas primeiras cenas do filme, e o médico diz que ele terá que repousar e operá-lo. Ainda assim, o professor insiste em chamá-lo para a empreitada, mesmo sabendo dos riscos em ter que transportar alguém ferido. No meio do filme, o rapaz já está correndo como se estivesse numa maratona, ignorando esse detalhe do joelho que simplesmente não serve para nada no roteiro.

"Humanos" poderia ter sido bem melhor se os homens-da-caverna aparecessem menos, fossem mais implícitos à trama, e suas intenções não fossem tão bisonhas, principalmente com o roteiro tentando mostrar ao longo de sua projeção que algo assim poderia realmente existir, numa dessas reservas florestais. Uma triste constatação de que a evolução da espécie é algo que não aconteceu com os realizadores desse filme.

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